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Quando você
pensa, já não pode deixar de questionar...
21/02/2010 10:40
(corpos em movimento, universo em expansão)
(continuo postando no http://www.questionar.wordpress.com) www.questionar.wordpress.com
enviada por Gabriel
07/12/2008 00:26
(corpos em movimento, universo em expansão)
http://questionar.wordpress.com
enviada por Gabriel
24/08/2008 19:57
Questionar o mundo é uma necessidade constante que eu pratico agora no seguinte endereço: http://questionar.wordpress.com
Qualquer dúvida, meu email é gabrielneves@gmail.com
enviada por Gabriel
22/06/2007 21:27
migrando para http://questionar.wordpress.com
enviada por Gabriel
03/06/2007 01:33
fazendo algumas mudanças no template, procurando ânimo pra voltar a fazer uma coisa que sempre gostei...
espero que dê certo!
enviada por Gabriel
06/04/2007 22:25
Segue abaixo uma resposta que eu dei em um post de uma grande amiga minha, em que ela defendia a diminuição da idade penal como um avanço em relação ao combate contra a violência. Depois tentarei fazer algo menos superficial, mas acho que já é válido enquanto mera opinião :)
Cuidado com o quê a violência pode nos tornar. Ao nos misturar com o mal comumente absorvermos parte deste sem ao menos poder nos defender, ou tomar consciência disso.
A indignação pode criar resultados desastrosos. Não adianta olhar para a lei e dizer que é lá que está o problema, em nenhum lugar do mundo o Direito foi capaz de resolver, sozinho, o problema da violência. E as sanções SÃO a violência em sua forma mais institucionalizada.
Então cuidado ao dizer que a violência deve ser utilizada pra combater a violência. Não a vi falando aqui sobre os problemas da miséria e da desigualdade social, não a vi falando sobre os problemas da educação, os valores distorcidos reproduzidos livremente, e tantos outros problemas muito mais fundamentais, verdadeiras causas da violência, e não meras consequências.
A prisão não impede os "maiores" de matar e serem mortos. Certamente não impedirá os menores também. E, a não ser que você se contente com a vingança estatal, e considere que toda criança e adolescente deve responder pela miséria e violência a que são submetidas desde sempre, eu espero que você possa avaliar isso tudo de cabeça mais fria pra perceber que esta não é a causa de sequer a minoria dos crimes cometidos por menores.
enviada por Gabriel
14/02/2007 16:07
Praça da Sé, São Paulo
15:15
- Ai, filho da puta, ai...
Uma mulher deitada no chão. Ou um homem. É difícil de discernir, cabelo muito curto, meio branco. Rosto cheio de cicatrizes, sim. Mas, diante da angústia e sofrimento de todas as lágrimas, só consegui reparar a dor. Aparentava uns 60 anos, mas é provável que tivesse 40. Ou mesmo 30.
Um guarda da Polícia Metropolitana está do lado dessa pessoa. A uns dois metros, outro rapaz no chão, com um cara esfregando um pano em seu peito. Um carro de polícia chegando, devagar, abrindo espaço entre o amontoado de gente que já se formava.
O guarda tira algo do bolso, e circula a pessoa, até estar de frente a ela, que está gritando e praguejando. Mira o spray de pimenta a menos de 15 centímetros do seu rosto, e segura o botão que libera o gás por mais de 5 segundos, tempo em que eu, muito inseguro, dou uns três passos a frente, e acontece um diálogo parecido com esse:
- Porra, o cara tá no chão, pra que isso?
- Sai daqui doutor, sai daqui senão te prendo por desacato
...
Talvez eu fosse preso mesmo, porque não sai. Não consegui articular argumentos. Se eu conseguisse manter minha racionalidade diria sobre a ilegalidade daquela ação, que o cara poderia ser denunciado, que tinha umas 50 testemunhas de que ele estava torturando uma vítima indefesa e subjulgada. Poderia ter dito que eu não tinha medo, que ele é quem deveria se envergonhar por estar fazendo tamanha atrocidade assim, na frente de todos, sem o mínimo de pudor.
Diria também que é uma vergonha que a autoridade se porte assim.
Mas eu tinha uma carta na manga, e ele nunca me prenderia. A minha condição social, que era de certa forma mascarada pelo 'uniforme' de estagiário de Direito que eu uso. A fantasia de advogado que se manifestava através da pasta com cópias de decisões judiciais que eu levava comigo transmitiu a ele, ao que parece, uma proteção intransponível que pelo menos ali, na frente de todo mundo, ele não estava disposto a atacar.
E eu me senti imundo. Os pobres mendigos da Praça da Sé são espancados e torturados com sprays de pimenta por gritarem (de dor, indignação, sei lá!), e eu sou julgado pela merda de roupa que eu uso, e não por qualquer argumento coerente que eu tenha sido capaz de usar.
O povo todo fica falando sobre violência, sobre diminuir a maioridade penal, rever legislação, dar penas mais duras. Mas será que ninguém enxerga que ESSE É O MUNDO QUE NÓS CONSTRUÍMOS, e que não é o Direito que vai mudá-lo, mas sim as transformações sociais que só vão acontecer quando formos menos egoístas e mesquinhos, e pararmos de olhar única e exclusivamente pro nosso próprio rabo?
Estou triste, e, mais do que triste, machucado. Ferido por meus próprios medos e incapacidades, infeliz por conviver com pessoas tão pequenas, e por saber que a realidade é essa que eu vi hoje, e que tão pouca gente se empenha em mudá-la.
Alias... o quanto eu tenho me empenhado?
enviada por Gabriel
23/01/2007 11:36
É preciso tomar muito cuidado.
Senão vai morrer o pai de alguma grande amiga sua, e você vai ficar sabendo só um mês depois.
Senão você vai trabalhar o mês todo só pra pagar as contas do mês passado.
Senão sua melhor amiga vira mais uma colega.
Senão você descobre, um ano depois, que seu irmão por parte de pai teve câncer e quase morreu.
Senão você brigará com quem ama por bobeiras qualquer.
Senão as pessoas que você amou não vão lembrar muito que você existe.
Senão os seus sonhos ficarão sempre em segundo plano; a luta pela sobrevivência tomará todo seu tempo.
Senão você vai esquecer o porquê de estar aqui.
E aí, quando isso acontecer, vai se sentir tão vazio e tão triste que não terá mais vontade de ter cuidado com nada, o que fará com que se afunde cada vez mais no abismo profundo que pode se tornar sua alma.
enviada por Gabriel
06/11/2006 11:17
Em um dia depois da tempestade
Em que tanto se destruiu, onde você se feriu
E podemos escolher se vai ser um novo dia
Ou só mais um...
Só mais um entre outros
Em que o sangue escorre
E as pessoas se escondem
Em casulos de ignorância
É verdade ou não que podemos descobrir a verdade?
É verdade ou não que podemos saber a realidade?
É verdade ou não que podemos mudar o mundo?
E viver então
Sem que nada seja em vão
E lutar então
Com a paixão e a razão
É verdade ou não que podemos descobrir a verdade?
É verdade ou não que podemos saber a realidade?
É verdade ou não que podemos mudar o mundo?
enviada por Gabriel
30/10/2006 11:54
- Vamos... acorde!
Meus olhos estavam doendo. Não era fácil ver cores que eu nunca tinha visto antes. Não era fácil não saber distinguir o que se via. O que se sentia.
- Venha... você não pode ficar aí!
Não conseguia levantar. Eu queria desmaiar. Torcia pra que a dor aumentasse, pra que eu pudesse então desmaiar. Às vezes tudo o que a gente quer é perder a consciência.
Morrer. Dormir. Não faria tanta diferença assim.
- Vamos... você sabe que não vai desistir agora.
Sim, eu sei. É uma bosta esse meio termo. Se gostam de me fazer de alvo, por que não me acertam a cabeça de uma vez?
É um tiro na perna. Um tiro no braço.
Um tiro agora. Outro amanhã.
E esse instinto maldito, que toma conta de mim, e me faz continuar.
- Você precisa distinguir o que é necessário e o que é auto-flagelo... você precisa reagir, seu pior inimigo sempre foi você mesmo.
Sou carrasco e mártir.
E contente me abandonaria
Se isso não fosse errado...
enviada por Gabriel
02/08/2006 14:21
Se eu não sei o que dizer não quer dizer que eu não sei o que pensar. Se eu escolho não fazer não quer dizer que não acho que você não deva fazer. Se eu não me levantar não quer dizer que não seja preciso levantar.
Às coisas não acontecem sempre como queremos. Isso significa que não dá pra viver absortos na culpa das conseqüências das atitudes que tomamos. Mas também não adianta se esconder da responsabilidade inerente a consciência: não é porque se faz com as melhores intenções que poderemos não nos importar com o resultado final.
Não basta querer, é preciso ir além. Desejar é muito fácil, o difícil mesmo é tornar viável a concretização do desejo por um caminho que lhe seja ideologicamente correto: é fácil querer mudar o mundo, o difícil é conseguir mudá-lo. E não é porque se quer e se tenta que não deve haver cobranças sobre a maneira como isso se dá, ou pelos resultados que obtemos com a nossa luta.
Tentarei postar frequentemente agora. Aqui e no http://sentirviver.weblogger.com.br
Me ajudem :)
enviada por Gabriel
23/06/2006 15:32
Tem algumas coisas que precisam ficar pra trás.
Das quais precisamos nos desprender para poder seguir em frente. Sem as quais parece que não viveríamos, mas ainda assim, temos que tentar.
Durante toda a vida, temos de lidar com as mais diversas perdas. As minhas começaram cedo, e começaram grandes. Mas, ainda assim, tem certas coisas que eu não me acostumei - e talvez nunca me acostume, a perder.
É engraçado como algumas coisas, apesar de parecerem mais racionais, lógicas e prováveis, nunca esperamos que aconteça. É difícil aceitar que o fim às vezes é inevitável.
É difícil perceber que esse fim chegou antes do desespero e da solidão, antes da tristeza e da decepção. Na verdade, não sei se existem finais felizes. Buscamos a eternidade...
enviada por Gabriel
24/04/2006 02:05
"As vezes parecia que era só improvisar e o mundo então seria um livro aberto".
Eu ando caminhando muito devagar. Acho que é a insegurança. A gente vive correndo pra chegar mais rápido, mas isso aumenta muito o perigo de cairmos. Então a gente anda sempre medindo - a pressa de alcançar nossos objetivos, o medo de que essa pressa nos faça falhar.
Percebi que grande parte da minha vida foi repleta de expectativas de mudanças. Eu sempre fui uma pessoa bem insatisfeita com o mundo em que vivo, com as coisas que acontecem ao meu redor.
Esse sentimento permite que eu dificilmente me acomode, que nada se imponha pra mim de maneira imutável e invencível. Mas também é fonte de eterna angústia, de uma sensação interminável de tarefa a cumprir.
Preciso recarregar minhas baterias :)
Ir atrás das coisas que me deixam felizes. Fazer a diferença pra pessoas que me fazem a diferença. Fazer mais diferença pro mundo. Ser mais sereno. Ser mais feliz...
enviada por Gabriel
14/02/2006 09:54
É, eu sei.
Às vezes é foda viver. Daí a gente acha que não vai conseguir. E que mesmo se conseguissemos, não valeria a pena. Às vezes parece que nada vale tanto a pena. As pessoas vivem dando mancada. Machucando umas as outras por motivos tão bobos.
Mas viver também é tão bonito. As coisas mais bobas podem ser tão especiais. Você faz uma palhaçada e alguém ri. Alguém te liga precisando de ajuda, e você o conforta. Quando alguém não pede, mas você ajuda.
Quando alguém faz carinho no seu rosto e enxuga suas lágrimas. Quando alguém se oferece pra fazer o que você não pode fazer.
É, bom, até que viver pode valer bastante a pena. Desde que eu me sinta útil pras pessoas, dá pra levar. E vamos que vamos, porque ainda há muita coisa pela qual lutar.
enviada por Gabriel
23/01/2006 10:48
Acordando pra vida de novo. Percebendo que o tempo não para só porque precisamos que ele pare. E o tempo também não corre porque precisamos que ele corra.
Se é assim então, não vou esperar que o tempo resolva meus problemas. E não vou me sentir culpado pelos problemas que eu nunca poderia resolver. E não vou me culpar pelos erros que eu não cometi.
Vou lutar pelo que eu posso, vou lutar pelo que eu quero. Porque antes de qualquer coisa, eu tenho principios e ideais dos quais não posso me abster. Não posso deixar de ser quem eu sou.
Vou reconstruir.
Vou voar mais alto. Com asas maiores.
Meu desejo não é esquecer o passado, não é ignorar tudo o que aconteceu. E sim não deixar que isso me impeça de viver o presente, de ter esperança no futuro.
enviada por Gabriel
09/01/2006 03:02
Tem alguns momentos pela nossa vida em que acontecem certas coisas que nos destroem. Caem nossos maiores alicerses, nossas maiores certezas. Nos deixam as pessoas em que mais acreditamos. Mudam os sentimentos que acreditávamos serem os mais sólidos. O que sempre precisamos, e nos estava disponível, de repente não está mais.
Quando isso acontece, precisamos buscar a reconstrução. Ir atrás dos pedaços do que se destruiu. Não adianta querer tudo como era antes. Nunca mais seremos os mesmos. Mas precisamos resgatar o que era importante, o que continua nos sendo especial.
Precisamos lembrar de que não morreram todos os ideais. E de que não nos enganamos em tudo. Fizemos o que achamos que deveriamos fazer, apesar de isso não nos isentar de culpa alguma. Mas quem disse que todos os erros foram frutos de culpa? Às vezes as coisas não saem como deveriam sair, por mais que todos os passos tenham sido aqueles que pareciam os mais corretos.
Bom, eu estou aqui, tentando recolher os destroços, tentando reconstruir conceitos, tentando sonhar de novo. E meu primeiro nick, o do antigo blog, se torna mais atual do que nunca.
Gabriel wanna dream...
enviada por Gabriel
25/12/2005 11:27
Ontem, na virada para o natal, meu padrinho fez um discurso que me fez pensar um pouco a respeito do significado do natal, e me fez escrever algo que eu gostaria de compartilhar com vocês.
O natal que estamos vivendo pouco tem a ver com o nascimento de cristo, ou com os sentimentos e valores cristões. Não estamos comemorando, aqui, a nenhuma religião. O natal que há muito se vive tem muito mais a ver com o carnaval, que significa, ao pé da letra, festa da carne. O que estamos fazendo aqui é comemorando para a satisfação de nossos próprios desejos: a abundância, o consumismo, o carinho exagerado, o desejo das pessoas queridas sempre presentes. E sim, temos motivos para comemorar os prazeres que nos são possível: que bom, que bom que temos uma família, uma mesa farta, pessoas que se amam e são importantes uma para as outras, pessoas que sabem ter com quem poder contar.
Tudo isso é motivo de comemoração diária, mas datas e símbolos são importantes para nos lembrar do quão isso nos é precioso. No entanto acho conveniente abrirmos um espaço para a reflexão, porque pensar no quê ( e no quanto ) temos a felicidade de ter o que comemorar, não devemos esquecer que a maior parte da humanidade sequer vai ter acesso as sobras do nosso natal. E já que no natal se fala ( e se deseja ) tanto o amor quanto a prosperidade, seria interessante definirmos de que tipo de amor falamos.
O que estamos realmente desejando uns aos outros? E do que isso adianta?
Não podemos nos basear só em expectativas de que as pessoas sejam felizes, de que o mundo mude e seja um lugar mais justo. Precisamos fazer isso acontecer. Então, que não nos acomodemos ao ver as coisas que nos são acessíveis e tão importantes a nossa mão, e sim nos revoltemos com as condições precárias que o próprio homem impõe a outros homens.
Que o natal traga muitos motivos pra vocês comemorarem, meus amigos, mas que nunca esqueçamos que também temos muitos motivos para estarmos extremamente insatisfeitos com o mundo em que vivemos. E é preciso transformar essa insatisfação em atitude :)
enviada por Gabriel
09/12/2005 05:01
E os pássaros passam tão depressa
E os carros passam tão depressa
E as pessoas passam tão depressa
E eu tão devagar, eu tão perdido, eu tão cansado.
Chega, já é tempo de levantar. Pode ser tarde demais pra muita coisa. Pode ser que muitas chances tenham ficado pra trás. Pode ser que muitas coisas bonitas tenham sido esquecidas.
Mas pelo que eu puder lutar, eu vou lutar. Se ainda há sangue correndo em minhas veias, ainda há tempo para tentar. E essa sempre foi minha maior responsabilidade: batalhar para transformar.
Tantas nuvens, tantas dúvidas, tantas ausências. Eu me perdi! E não foi olhando pra frente que encontrei meu rumo. Foi olhando os caminhos por onde já passei, foi lembrando das pessoas que já encontrei. E das que nunca deixei de pensar e sentir.
Tanta saudades, tanta. Não é questão de querer reviver momentos que já passaram, é questão de lutar pelo sonhos que ainda nos forem permitidos.
enviada por Gabriel
09/09/2005 11:09
apenas mais alguns momentos.
enviada por Gabriel
18/05/2005 14:46
*loading*
enviada por Gabriel
04/03/2005 22:19
'post pra não deletarem o blog'
- eu voltarei -
enviada por Gabriel
02/12/2004 03:11
* Varrendo toda a poeira *
E eu chego assim, na cara do mundo, e digo: você está errado!
E digo isso quando curso Direito, e digo isso quando toco guitarra, e digo isso quando leio um livro, e digo isso quando conheço alguém.
Porque minha indignação é minha maior prova de amor, e cada grito é de certa maneira um sorriso dado ao mundo que queremos.
Então, vamos lá!
Se não somos exatamente tudo o que queremos, pelo menos que estejamos cada vez mais perto! Certas horas, o importante é não parar!
Se não podemos ter tudo o que precisamos, pelo menos que estejamos lutando para conquistar! Não desistir, não nos acomodar!
O mundo é um lugar extremamente dinâmico. Temos que estar preparados para assumir o controle da situação, mas também temos que estar conscientes de que algumas horas também é preciso se entregar.
enviada por Gabriel
15/09/2004 01:17
DAS VANTAGENS DE SER BOBO
Clarice Lispector
O bobo, por não se ocupar com ambições, tem tempo para ver, ouvir e tocar o mundo.
O bobo é capaz de ficar sentado quase sem se mexer por duas horas. Se perguntado por que não faz alguma coisa, responde: "Estou fazendo. Estou pensando."
Ser bobo às vezes oferece um mundo de saída porque os espertos só se lembram de sair por meio da esperteza, e o bobo tem originalidade, espontaneamente lhe vem a idéia.
O bobo tem oportunidade de ver coisas que os espertos não vêem.
Os espertos estão sempre tão atentos às espertezas alheias que se descontraem diante dos bobos, e estes os vêem como simples pessoas humanas.
O bobo ganha utilidade e sabedoria para viver.
O bobo nunca parece ter tido vez. No entanto, muitas vezes, o bobo é um Dostoievski.
Há desvantagem, obviamente. Uma boba, por exemplo, confiou na palavra de um desconhecido para a compra de um ar refrigerado de segunda mão: ele disse que o aparelho era novo, praticamente sem uso porque se mudara para a Gávea onde é fresco. Vai a boba e compra o aparelho sem vê-lo sequer. Resultado: não funciona. Chamado um técnico, a opinião deste era de que o aparelho estava tão estragado que o conserto seria caríssimo: mais valia comprar outro.
Mas, em contrapartida, a vantagem de ser bobo é ter boa-fé, não desconfiar, e portanto estar tranqüilo. Enquanto o esperto não dorme à noite com medo de ser ludibriado.
O esperto vence com úlcera no estômago. O bobo não percebe que venceu.
Aviso: não confundir bobos com burros. Desvantagem: pode receber uma punhalada de quem menos espera. É uma das tristezas que o bobo não prevê. César terminou dizendo a célebre frase: "Até tu, Brutus?"
Bobo não reclama. Em compensação, como exclama!
Os bobos, com todas as suas palhaçadas, devem estar todos no céu.
Se Cristo tivesse sido esperto não teria morrido na cruz.
O bobo é sempre tão simpático que há espertos que se fazem passar por bobos.
Ser bobo é uma criatividade e, como toda criação, é difícil. Por isso é que os espertos não conseguem passar por bobos. Os espertos ganham dos outros. Em compensação os bobos ganham a vida.
Bem-aventurados os bobos porque sabem sem que ninguém desconfie. Aliás não se importam que saibam que eles sabem.
Há lugares que facilitam mais as pessoas serem bobas (não confundir bobo com burro, com tolo, com fútil). Minas Gerais, por exemplo, facilita ser bobo. Ah, quantos perdem por não nascer em Minas!
Bobo é Chagall, que põe vaca no espaço, voando por cima das casas.
É quase impossível evitar excesso de amor que o bobo provoca. É que só o bobo é capaz de excesso de amor. E só o amor faz o bobo
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Sem dúvida uma das maiores ( senão a maior ) escritora brasileira de todos os tempos. Se uma pessoa consegue nos convencer de que a alma do ser humano é profunda, tão e somente com palavras, essa pessoa é Clarice Lispector.
E quanto a ser bobo? Será que vale a pena?
E quem disse que o mundo é dos espertos?
Os espertos, que querem conquistar o mundo com sua sagacidade, podem vencer, no sentido de que usam a força para atingir seus objetivos.
Os bobos ganham assim, com esse jeito espontâneo de ser, que por sí só já conquista grande parte de seus objetivos.
Ser esperto é maquinar o tempo todo, ser bobo é encontrar no cotidiano coisas que lhe possam fazer rir.
Ser esperto é entender o mundo pra tirar proveito dele. Ser bobo é sentir o mundo, sentir-se como parte do mundo e, integrado a ele, procurar os caminhos que permitam que todas as pessoas possam sorrir.
Ser esperto é tomar mil preucações, ter infinitas respostas na ponta da língua, ser bobo é viver assim, intensamente, respeitando os riscos, mas não inventando-os.
Claro que ser bobo é mais perigoso! O coração do bobo certamente estará mais aberto, suas experiências serão muito mais intensas, e nem tudo o que há no mundo faz bem. E o bobo, por estar tão receptivo, as vezes acaba tendo que lidar com coisas bem complicadas dentro de si, coisas que o esperto nunca sonhou existirem, inclusive.
Portanto, é isso que penso: escolhemos, a todo momento, ser bobo ou esperto. Tentamos escolher como lidar com o mundo que nos é apresentado a todo momento, que dá trocentos motivos pra ficarmos tristes, que dá tantos motivos pra sermos felizes. Mas que fundamentalmente nos exige posturas, decisões e atitudes, que resultarão em transformações, ao nosso redor, e dentro de nós. E que sejamos conscientes então de nossa bobeira, pra que possamos cultivar o que há de melhor nisso...
enviada por Gabriel
20/08/2004 22:48
Meu amor segue uma linha de principios gerais que nunca posso esquecer. Em tudo o que faço procuro sentido, e é comum eu pensar em que sentimento vale ou não a pena, e procurar caminhos e jardins que possam cultivar aqueles que eu julgo serem os ideais.
Por isso, eu queria falar um pouco sobre algumas coisas que creio a respeito do amor.
O amor que não serve pra libertar não vale a pena!
Se o amor não te deixa mais feliz, se ele não te incentiva a viver mais intensamente, se ele não faz você enxergar o mundo com outros olhos, não torna as cores mais vivas, ele não vale a pena.
Se o amor não te deixa mais forte, se ele não faz você ser menos inseguro, se ele não faz você sentir desejo de compartilhar o mundo com outras pessoas, não faz você gostar mais dos seus amigos, ele não vale a pena.
Se o amor não te deixa mais completo, se ele não faz você ter menos medo do destino, se ele não faz você querer melhorar o mundo em que vive, não faz você ser mais gentil com quem cruza seu caminho, ele não vale a pena.
Se o amor não te liberta dos seus preconceitos, da sua estagnação, ele não vale a pena. O amor tem que libertar de toda a alienação, ser um príncipio de intenções que pode guiar todas as suas atitudes.
É isso, que eu acho fundamental. O amor tem que servir para que possamos viver imersos em atitudes de amor. Ele pode ou não se materializar a uma pessoa, mas nunca, em hipótese alguma, deve guiar suas atitudes de amor única e exclusivamente a ela.
enviada por Gabriel
25/05/2004 09:50
Me acho tão adolescente.
Aconteceu, de novo. Na primeira vez, havia sido com Forgiven. Eu havia encontrado toda a minha adolescência ali, escancarada nas mentiras que eu fiz questão de procurar, só pra depois descartar, e lutar contra o vazio dentro de mim. Logo após, Uninvited. Todas as possibilidades que teríamos, se houvessem outras circunstâncias, se houvessem outras possibilidades. A prova de que o amor, seja ele como for, não independe do mundo ao seu redor para a plena concretização. Depois, foi Hands Clean. A pessoa que me fez acreditar, que cultivou o sentimento mais parecido com fé ( ausente desde sempre na minha vida ), que me fez amar, confiar nas minhas poesias, e depois me abandonou, tudo isso estava escrito nessa letra.
E agora, Everything.
Ao ouvir essas músicas da Alanis, que tanto dizem respeito a mim, eu revivo, de certa maneira, antigos sentimentos. E lembrar sentimentos nunca é vão.
Acho que isso faz parte do processo humano. Não acredito no acaso para o reaparecimento dos sentimentos. Não acredito em tristeza e felicidade em que não hajam motivos, embora tenha encontrado cotidianos que possam ser caracterizados como plausíveis para esses extremos.
Portanto, sou da opinião de que devemos conhecer sim o que se passa dentro de nós, e acredito que podemos interferir, em grande parte, para nos fazer pessoas melhores, mais realizadas e mais úteis para as coisas nas quais acreditamos dever colaborar.
Porém, lembrar não é reviver. Mas algumas lembranças ainda deixam imagens tão reais, e sentir novamente pelos mesmos motivos é realmente parecido com reviver.
Ah, mente confusa! Já não sei se posto isso aqui ou no outro blog! Eee, quem mandou eu criar outra opção? :)
enviada por Gabriel
18/05/2004 09:11
Quem não quer ser livre? Poder fazer o que bem entender, da maneira e no tempo em que bem entender. Ah, quanto prazer! Sem limites, sem satisfações. A sensanção de plenitude da conquista, a busca pelo novo, o inesperado, as surpresas que nos provam que realmente um dia é diferente do outro. Como seria se vivessemos em um sonho, como seria se fossemos diretores dos nossos sonhos?
Bem, eu descobri que, de certa forma, existem limites para a minha liberdade. E que eu devo ter muito medo da liberdade total, irrestrita.
Só somos livres, de verdade, a medida em que não mantemos nenhum vínculo. Em que nada possa de fato condicionar e influenciar nossa opinião, quando não há nada que nos impeça de satisfazer determinado desejo. Mas não seria também o próprio desejo impecilho pra liberdade? Ora, se temos desejos, inata é a vontade ( mesmo reprimida ) de satisfazê-los. E o quanto essa vontade influi na nossa maneira de agir e pensar?
Então a liberdade, como disse Buda, é a abstenção de todos os desejos. Eles condicionam a nossa independência diante do mundo. E todas as pessoas livres, e que desejam viver, devem ser independentes! Mas rico sou eu, que preciso das pessoas ao meu redor, que preciso dos meus desejos, que preciso dos meus ideais, e que tenho os olhos abertos para as coisas que acontecem ao meu redor. Não que receba tudo de maneira passiva, muito pelo contrário, o olhar crítico faz parte do meu condicionamento diante da minha ideologia de transformação.
Portanto, eu abdico de parte da minha liberdade, para que assim eu não seja paradoxal, para que assim eu possa ver sentido em continuar vivendo e lutando pelas coisas em que acredito valer a pena...
enviada por Gabriel
12/05/2004 20:17
Mudança!
Bem, essa semana eu me mudei. Depois de tantos meses de procura, expectativa...
Agora tenho um quarto que é só meu. Pequeno, apertado, mas onde cabe o que me é essencial, ao menos no aspecto material cotidiano: meu computador, meu som, alguns livros, meu violão e minha guitarra. Do que mais precisaria? :)
Quanto ao aspecto emotivo, eu acho que todo nós precisamos do nosso espaço, um lugar onde possamos nos sentir 'soberanos' estabelecer nossas próprias regras, limites e organização.
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Achei muitas coisas perdidas. Percebi que não consigo me desfazer de algumas cartas, que na minha vida já cruzei com muitas pessoas especiais, que mantenho contato com menos dessas pessoas do que gostaria, e que o tempo e a distância já me privaram de algumas possibilidades que poderiam ter sido interessantes.
Achei também uma foto. Eu lembro que, dessa pessoa, havia uma carta e uma foto, e eu sinceramente preferiria ter achado a carta. Não sei porque, mas as palavras, as vezes, desenham melhor do que qualquer pincel uma determinada cena de nossa vida.
Percebi que tenho saudades, mas que ela é muito menos atroz do que fora nos anos anteriores.
Mudança é isso. Tempo de descobrir o que estava perdido, de jogar fora o que estava presente, mas sem fazer sentido algum, de organizar espaços, de perceber algumas necessidades que antes estavam camufladas, de descobrir limites, de fazer possível o que era julgado impossível.
Por isso eu estou tentando lidar da maneira mais construtiva possível com essa história de mudar. Escolher pelo novo nem sempre é um processo reversível. E mesmo que fosse, eu ainda assim não desejaria voltar atrás.
Quanto ao meu outro blog, eu decidi que irei fazê-lo "aberto" mesmo. Mas saibam de antemão que ele nem tudo o que estiver naquele blog são meus sentimentos ou representam meu estado de espírito. Ele também é um laboratório de experiências, onde eu tentarei tratar dos sentimentos sobre uma ótica que as vezes difere muito da minha.
Ou seja, aquele blog é meu, é o mais sincero manifesto do que sou, mas também não diz, ao menos de maneira direta e precisa, sobre mim. Nhah, isso é legal ^^
http://sentirviver.weblogger.com.br
enviada por Gabriel
02/05/2004 23:46
Primeiro de maio não é dia de festa.
Não é dia de Sandy & Junior. Tão menos se fosse só Gilberto Gil.
O dia do trabalhador só existe porque existe uma luta histórica por parte da classe trabalhadora, que acreditou que estando unida tinha melhores chances para reinvidicar melhores condições de trabalho e de vida. O dia só existe porque o povo decidiu que, gritando numa mesma hora e numa mesma voz, seu grito ecoaria de tal maneira que não poderia ser ignorado.
Mas não é o grito o que ouvimos! Foi música! Descomprometida com a realidade, descomprometida socialmente para com aqueles que estão a ouvir. É uma música que aliena, que não diz respeito ao que realmente é pertinente a esse dia.
Porque nem tudo pode ser festa! E o que os trabalhadores tem a comemorar, hoje? Não tem! Aumento de 20 reais no salário mínimo? Não, isso não é motivo pra cantar, ao menos não aquelas músicas! Tão menos é motivo pra cantar a reforma trabalhista tal como está sendo propostas, com a extinção de diveros direitos que são conquistas históricas.
Em suma, fica aqui a minha indignação com o primeiro de maio que ajudou a fazer da massa trabalhadora uma classe ainda mais alienada, e que conseguiu desvirtuar grande parte do sentido desse dia que deveria representar a luta dessa classe.[
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Eu decidi, incentivado por uma amiga, que vou criar outro blog. Farei isto porque quero manter o questionar com a proposta inicial com a qual o iniciei, que era ser um espaço para reflexão, feita de maneira crítica, consciente e clara. No entanto, tenho tido outras necessidades, que nem sempre se encaixam no contexto que eu enxergo aqui.
Quem tiver interesse em saber sobre esse outro blog é só mandar email, msg de icq ou deixar comentário aqui.
enviada por Gabriel
29/04/2004 22:47
Mais uma do governo Lula.
A constituição definiu que as aposentarias seriam reajustadas conforme o salário mínimo. Isso significa que ela se preocupou em dar alguma segurança a quem depois de tanto trabalhar, realmente merece um pouco de paz e respeito. Mas as peripécias do nosso governo são tantas que, pra não aumentar o salário mínimo, porque isso iria causar um "rombo" muito grande na previdência social, ele decide aumentar o valor das "bolsas-genéricas", para que assim possa seguir a risca a sua responsabilidade fiscal diante dos órgãos financeiros internacionais. Mas e sua responsabilidade diante da nossa constituição federal, carta máxima de deveres do governo brasileiro?
Compromisso social? Bahhhhh :P
É a inversão de valores do capitalismo, que diz que o social só vai ser construído se atingindo avanções econômicos. A história nos prova que isso não condiz com a realidade, que apesar de grandes saltos econômicos nosso país sempre foi marcado pela crescente desigualdade social, que resulta em quase todas as mazelas com que temos de conviver.
Alguns dizem que não há saída, e que o processo é irreversível.
Eu acho que vale a pena tentar lutar, por mais ínfima que seja a esperança, pra que isso mude.
enviada por Gabriel
14/04/2004 23:56
Há 18 anos atrás houve um alguém que resolveu transpor o intransponível. Alguém que quis adiantar o que era, enfim, inevitável. Alguém que teve todos seus sonhos destruídos. Alguém que não esqueceu de seus ideais e, diante da dor tão grande de os ver impossíveis, não conseguiu adormecer sua vontade de outro jeito.
Uma estrela muito grande se apagou. Mas a luz que dela resultou demorará muito tempo a se perder. Muitas almas, de certa maneira, ela iluminou, apesar da ausência da estrela em si.
Afinal, a essência é o que foi, ou o que ficou?
Hoje, um menino de 12 anos deixou nosso mundo. Sofria muito, mas ainda assim não foi ele quem escolheu seu destino. Tanto ainda poderia ele ter feito, mas a ele não foi dada a opção...
" And isn't it ironic? Don't you think? " ( Alanis )
" É tão estranho, os bons morrem jovens, assim parece ser quando lembro de você, que foi embora, cedo demais" ( Legião )
enviada por Gabriel
06/04/2004 22:55
Eu não escrevo porque tenho as letras bonitas
Eu não escrevo porque tenho dominio gratical
Eu não escrevo por simples comunicar
Eu não escrevo pra somente descrever o bonito
Eu não escrevo pelo puro prazer da palavra
Eu não escrevo por vocação
Eu escrevo porque assim sinto
Eu escrevo porque preciso dizer a vocês
Eu escrevo porque isso chega mais alto do que minha voz
Eu escrevo porque preciso expressar
Eu escrevo porque existem coisas que precisam mudar
Eu escrevo porque sentimentos sao importantes
Eu escrevo porque preciso entender
E escrevendo eu sei que me repito
E escrevendo eu sei que me confundo
E escrevendo eu sei que me descubro
E escrevendo eu sei que me apaixono, que esqueço
E escrevendo eu sei que confesso o que sou, eu confesso o meu amor...
--------------
Fernanda queria viver intensamente
Mário queria escrever um livro
Marina queria fotografar o mundo
Rafael queria amar
As possibilidades são tantas. No entanto, nem sempre tudo o que fazemos, por mais bem feito que seja feito, se reverte em resultados positivos. Existem tantos amigos para os quais dispensamos tanto carinho e atenção, e no final das contas os vemos nos mesmos becos escuros. Existem tantas vezes em que perdoamos para ver posteriormente o mesmo erro sendo cometido. Existem tantas vezes em que rompemos algumas amarras pra depois acabar nos enroscando em outras piores.
Não somos senhores do destino. Podemos ter dado chances ao acaso pra boas surpresas, mas nem sempre elas vão acontecer. No entanto, acredito que devemos estar consciente do que é o nosso papel, sua abrangência e também seu fim. Nem tudo depende de nós, o que quer dizer que, apesar de responsáveis pela vida que vivemos, não somos de todo modo 'culpados' por ela. Isso quer dizer que algumas vezes vamos viver coisas que não são parecidas com as 'sementes' que plantamos. Mas isso faz parte do processo, e não quer dizer necessariamente que erramos em ter confiado, perdoado, acreditado, amado...
Muito cuidado para não identificar todo acontecimento frustrante como fruto de um erro pessoal :)
enviada por Gabriel
31/03/2004 23:28
eu acendo a luz
se a lâmpada queimar
eu abro a janela
se o sol cair
eu acendo velas
se o mundo se perder
eu procuro de novo
se a música desligar
eu canto
se você me deixar
eu te busco
se cair
eu me levanto
disso eu sei...
mas quanto tempo demorarei?
que caminhos serei obrigado a percorrer?
---
Hoje completam-se 40 anos posteriores ao Golpe de 1964, que destruia os direitos democráticos e políticos do nosso país, e que atrasou por décadas o desenvolvimento de uma consciência social que pudesse dar alicerses um pouco menos tortos a nossa tão querida democracia. Sairam algumas matérias interessantes por aí, amanhã vou tentar condensar alguma :)
enviada por Gabriel
16/03/2004 23:35
Amar rima com beijar
Ler rima com viver
Decidir rima com agir
Talvez seja por coinscidência que essas palavras tenham a mesma terminação. Mas não podemos dizer de acaso a ligação fundamental intrínsica a elas.
Eu acho que muitas vezes nós não sabemos demonstrar de maneira construtiva o carinho que nutrimos por algumas pessoas. Isso acontece por diversos motivos: orgulho, medo de sermos mal compreendidos, incertezas em nossos sentimentos, medo de se expor...
É uma coisa em que eu me sinto feliz: eu posso ir dormir sabendo que as pessoas que eu amo sabem que eu as amo. Posso acordar sabendo que os amigos de que gosto sabem meu telefone caso precisem de alguma coisa.
Outra coisa comumente esquecida é sobre a necessidade do "saber". Ler, na minha opinião, é fundamental para a formação de um caráter crítico. Entender o mundo é uma responsabilidade de todo ser humano, que adquiriu uma consciência tão sofisticada! só a partir do entender é que conseguiremos construir a possibilidade do mudar.
Sim, e a última questão do dia é sobre as decisões cuja prática protelamos. Muitas vezes criamos uma barreira tão grande entre o decidir e o agir, que nos tornamos quase que incapazes de atender aos apelos da nossa razão, ou seja, de fazer algo que julgamos essencialmente certo, seja por um medo que já julgamos infundado, seja por um preço que já decidimos que é baixo o bastante...
Eu acho que precisamos diminuir sensivelmente a espessura dessa linha, pra que nossos ideais se aproximem mais de nossa prática cotidiana. Acho que isso poderia resolver boa parte de nossos conflitos :)
enviada por Gabriel
28/02/2004 15:26
Vanessa da Mata - Não Me Deixe Só
Não me deixe só
Eu tenho medo do escuro
Eu tenho medo do inseguro
Dos fantasmas da minha voz
Não me deixe só
Tenho desejos maiores
Eu quero beijos intermináveis
Até que os olhos mudem de cor
Não me deixe só
Eu tenho medo do escuro
Eu tenho medo do inseguro
Dos fantasmas da minha voz
Não me deixe só
Que eu saio na capoeira
Sou perigosa, sou macumbeira
Eu sou de paz, eu sou do bem mas
Fique mais
Eu gostei de ter você
Nâo vou mais querer ninguém
Agora que sei quem me faz bem
Não me deixe só
Que o meu destino é raro
Eu não preciso que seja caro
Quero o gosto sincero de amor
Não me deixe só
Eu tenho medo do escuro
Eu tenho medo do inseguro
Dos fantasmas da minha voz
---
Não me deixe só, que eu não quero decidir nada por você.
Não me deixe só, que o pior de tudo é a solidão.
Não me deixe só, porque juntos somos mais fortes.
Não me deixe só, ninguém vai cobrir a lacuna que você deixar.
Não me deixe só, porque eu sei que precisamos um do outro.
Não me deixe só, eu não vou morrer, mas serei menos feliz.
Não me deixe só, porque tuas cores são as que eu preciso pra pintar minha vida...
Se eu estiver distante, um minuto que seja, eu peço desculpas. As vezes tudo pode parecer uma questão de escolha, mas certas coisas quase nunca são. Certas pessoas nos fazem querer estar sempre presentes, sempre atentas, a todos os detalhes e gestos.
Eu não vou te deixar só :)
enviada por Gabriel
19/02/2004 22:17
Você tem todo o direito de tentar, mas tem que saber antes umas coisas.
Você tem que saber que talvez você não faça da melhor maneira.
Você tem que saber que talvez alguma coisa dê errado.
Você tem que saber que talvez ele não te ame, mesmo que existam mil motivos para que amar.
Você tem que saber que algumas coisas não são tão previsíveis.
Você tem que saber que os resultados podem demorar.
Você tem que saber lidar com suas frustrações.
Tem que saber que existem possibilidades e probabilidades. Tem que saber o que é insano, o que é emotivo, o que é impulsivo. Tem que saber o que é razão, o que é coração. Tem que saber seus motivos, tem que saber as causas.
Mas, se você quiser mesmo tentar, tenha algo em mente.
A vida vale muito mais a pena pra quem arrisca quando enxerga boas possibilidades.
O amor nunca vem sem nenhum desafio a ser enfrentado.
Os caminhos são muitos, e não existe só um que você possa chamar de certo. Então pode se focar, mas cuidado com as certezas inflexíveis.
Inevitavelmente, algumas vezes, você vai ter que se expor. Vai ter que colocar seus sentimentos pra fora, e esperar que as pessoas gostem dele. Então, cuidado com o que cultiva dentro de você. Bons sentimentos geralmente vão te trazer bons relacionamentos.
O medo é um sentimento de auto-conservação, mas também um inibidor de coragem. Saiba que você precisa se resguardar, mas se o fizer demais, vai perder a chance de coisas que poderiam lhe ser extremamente importantes.
Lute, saiba respeitar seus limites, mas não se esqueça de que muitas vezes nos é exigido que existam transgressões.
Ame, como tiver que amar, mas não se esqueça de que o mundo ainda espera ser conquistado ( não se feche só para esse sentimento ).
Esperança, ainda há sentido tê-la.
enviada por Gabriel
17/02/2004 17:04
And they say that a hero could save us
I'm not gonna stand here and wait
I'll hold onto the wings of the eagle
Watch as we all fly away
E eles dizem que um herói viria nos salvar
Não vou ficar parado aqui e esperar
Me agarrarei nas asas da águia
Assista enquanto nós todos voamos longe
(Nickelback - Hero )
Eu percebi que a maioria das pessoas não dá a atenção a importância da maior parte das coisas conforme a sua necessidade, mas sim quanto a possibilidade de perdê-las. Será a ausência a única maneira de fazer com que entendam o quão é importante determinada pessoa nos é? Será que somente perdendo vamos perceber o quão fundamental alguma coisa nos é?
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As expectativas são uma coisa com que venho aprendido a lidar com os tempos. Primeiro descobrimos que não vamos mudar todo o mundo somente por assim desejar. Depois descobrimos que vai levar um pouco mais de tempo do que julgavamos. O importante é nunca, mas nunca mesmo, deixar de acreditar que essa é uma possibilidade, por mais sombrio que possa parecer o momento.
E de todas as expectativas, tenho comigo menos uma: fui informado de que houveram menos desistências do que ano passado no curso de Direito da UFSC, o que significa que eu não serei capaz de estudar em Floripa ainda esse ano.
Bem, que isso sirva de incentivo para que eu consiga superar alguns limites, e que seja mais bem sucedido ano que vem. Eu ter conseguido bolsa de estudos na PUC me incentiva mais a fazer facul e cursinho, só espero não me perder dos meus objetivos na correria que tudo vai ser.
enviada por Gabriel
10/02/2004 12:27
Sobre as diferenças da inveja e piedade:
A inveja, enquanto sentimento ( e não atitude ), é muito mais destrutiva para quem sente, enquanto é motivo de massagem de ego para a pessoa-motivo.
A piedade, enquanto sentimento ( que não reverta-se em atitude ), despreza a pessoa-motivo, enquanto incapaz de enxergar nela uma condição de dignidade que seja capaz de transformar sua condição infeliz.
Um dos erros mais comuns que já cometi é confundir piedade com compaixão. Compaixão é uma questão de identificação, de se ver como ser humano igual, e então dividir, compartilhar...
É importante estar atento aos sentimentos que nutrimos pelas pessoas ao nosso redor. Seja desprezo, compaixão, indiferença, piedade... porque tudo o que sentimos, mesmo que seja pelas outras pessoas, é fator determinante para a condição de nosso estado de espírito, e influencia diretamente na nossa maneira de viver.
...
Eu quero uma vida leve, de amores intensos, de lutas apaixonadas
...
enviada por Gabriel
02/02/2004 03:02
Eu Apenas queria que você Soubesse ( Gonzaguinha )
Eu apenas queria que você soubesse
Que aquela alegria ainda está comigo
E que a minha ternura não ficou na estrada
Não ficou no tempo presa na poeira
Eu apenas queria que você soubesse
Que esta menina hoje é uma mulher
E que esta mulher é uma menina
Que colheu seu fruto flor do seu carinho
Eu apenas queria dizer a todo mundo que me gosta
Que hoje eu me gosto muito mais
Porque me entendo muito mais também
E que a atitude de recomeçar é todo dia toda hora
É se respeitar na sua força e fé
E se olhar bem fundo até o dedão do pé
Eu apenas queira que você soubesse
Que essa criança brinca nesta roda
E não teme o corte de novas feridas
pois tem a saúde que aprendeu com a vida
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Eu apenas queria que você soubesse que ainda acho que o mundo está muito mal, e ainda acho as pessoas egoístas, mas que gosto do sorriso das crianças e acredito nos meus amigos...
Eu apenas queria que você soubesse que as vezes me sinto triste, bastante vezes até, mas que nunca deixei de ter esperança, e que sempre que eu caio, sei que vou me levantar...
Eu apenas queria que você soubesse que ainda luto por aqueles sonhos, e que aqueles planos, não ficaram pra trás, que ainda que todos nós estejamos mais velhos, a juventude ficou pra sempre no olhar.
Eu apenas queria dizer que ainda há muito o que viver, que ainda há muito o que experimentar, e que muitos caminhos serão percorridos e que muitas trilhas serão inventadas.
Eu apenas queria que você soubesse paixões virão e irão, que problemas sempre existirão, mas que dentro do meu coração, sempre vai haver um pedaço de chão onde possam ser plantadas suas sementes...
enviada por Gabriel
01/02/2004 00:17
Estrelas que brilham...
Estrelas que apagam...
Confiança é um requisito pra quase todo tipo de relação que estabelecemos aqui.
Por isso é que as cobranças relativas ao ciúmes, em minha opinião são quase sempre infundadas. Porque trabalham com a idéia de que, havendo possibilidade, a outra pessoa seria capaz de lhe trair. Ora, se eu estou com alguém parto do pressuposto de que ela é madura o suficiente pra saber se quer ficar comigo ou outra pessoa, e não acho que, caso ela escolha a mim, seja por falta de oportunidades. Portanto, respeitemos o espaço da outra pessoa, sua individualidade e sua vontade de, algumas vezes, estarem em companhias diferentes das nossas...
Massss...
Não foi por isso que eu resolvi falar sobre confiança.
Hoje eu fui acusado de fazer algo que não fiz, por uma pessoa que deveria ter certeza absoluta de que eu não seria capaz de fazer o que ela disse. Claro que as vezes o calor do momento pode nos impedir de raciocinar sobre todas as possibilidades, pode não nos deixar descobrir outros possíveis erros ou culpados, e exatamente por isso devemos respeitar esse momento como a hora de esfriar a cabeça. Mas não foi isso o que aconteceu. E, explodindo dessa maneira, ela certamente desrespeitou toda a nossa amizade, já que ao mesmo tempo em que demonstrou desconfiança, também demonstrou pouco caso em ouvir argumentos, inflexibilidade pra aceitar idéias, e ainda veio com aquele papo de " eu confiei em você, te dei uma chance " como se nossa relação de amizade se resumisse numa relação em que o envolvimento acontece de acordo com o espaço em que ela determina.
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Mas nem só de decepções temos um sábado!
Hoje eu fui ver os dois apartamentos, para decidir em qual eu morarei com minha mãe esse ano. É uma mudança significativa na minha própria maneira de viver, em que eu vou ter que assumir uma série de responsabilidades, vou ter que aprender sobre as limitações impostas por essa responsabilidade, mas vou abrir um leque muito grande de novos horizontes, já que vai ser um espaço em que eu poderei fazer mais coisas acontecerem do que atualmente ( e eu vou sairrr do traseiro do mundo =D )...
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Quente. Tudo muito abafado, e uma voz, alegre e vívida, dizendo para que eu não vá dormir ainda. Então eu abro as janelas, tento me despir, e tomo um pouco de água. Se não for o suficiente, eu começo a dançar. Não importa o que aconteça, eu não vou dormir, pelo menos não enquanto continuar ouvindo essa voz.
Que parece... ser o mundo... que me chama...
" Escute garota, o vento canta uma canção
Dessas que a gente nunca canta sem razão "
enviada por Gabriel
30/01/2004 18:25
Estou de volta a selva urbana, só que um pouco mais forte.
Viajar faz bem. Pro corpo, pra mente.
Agora que coloco o pé no chão, vejo um ano que vai ser dos mais longos a frente. Um ano que vai apresentar alguns desafios, e, principalmente, muitas mudanças.
Entender as necessidades de algumas pessoas ao meu redor, e avaliar as minhas possibilidades. É isso o que venho tentando fazer. O quanto eu posso abdicar só eu sei, ninguém deve fazer isso por mim.
Saber onde e como empenhar minhas forças, e onde admitir que todo o esforço não vale a pena. É difícil, mas é preciso.
Uma música que fez meu dia mais feliz
"...Você me veio como um sonho bom
E me assustei
Não sou perfeito
Eu não esqueço
A riqueza que nós temos
Ninguém consegue perceber..."
Eu decidi que vou voltar a estudar música. Assim que as coisas derem uma estabilizada, vou voltar a fazer aula. E tocar o que quiser tocar, e expressar o que os sentimentos quiserem cantar.
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Eu sinto perfumes que me são agradáveis. E, a partir de agora, vou tentar descobrir mais sobre certas flores. Confiar só um pouco mais nos instintos, não dar tanta importância pra certas coisas, e, fundamentalmente, não ter medo de arriscar, e não construir nenhum castelo de cartas com expectativa alguma.
enviada por Gabriel
23/01/2004 01:54
Eu pego meus pincéis, e rabisco tudo bem colorido. Eu gasto em especial a tinta vermelha, que me lembra sentimentos intensos, e a tinta azul, que me lembra o céu, o mar e a serenidade dentro de mim.
Eu rio, tímido com meu próprio sorriso, mas são meus olhos que dizem a respeito da minha alma, e eles continuam vivos e curiosos.
Eu canto minha canção, que é suave e profunda, que é feita por palavras que representam meus sentimentos, mas que não os personificam.
Eu voltei de viagem hoje, talvez parta pra outra domingo.
Tudo o que eu sinto, cada vez mais, é que preciso de contato humano, preciso dos meus amigos, e que eu sinto cada vez mais vontade de encontrar alguém para que possa me entregar, sem medos e sem pudores. Mas sem expectativas exacerbadas também, tudo tem o seu tempo, e eu vou correr atrás do meu.
enviada por Gabriel
19/01/2004 01:34
Se você ficar parado, não espere que a vida ande por você.
Não espere ouvir a música casualmente, vá atrás do cd...
Não espere encontrar a frase que precisa ler, vá atrás dos livros...
Não espere ver seus amigos olhando pro telefone.
Viaje, jogue fora a inércia que apodrece a alma.
Ame, despudoradamente e a cada minuto o que tiver que amar.
Conheça as pessoas que te despertarem o interesse.
Tema menos o julgamento do que a inocência ingênua que te impede de ter experiências.
Meus objetivos pra esse ano são:
- Viver intensamente
- Mudar o que eu puder mudar do mundo
- Crescer nas minhas experiências ( pessoais e interpessoais )
..........
( E que tenham calvice os veteranos que raspam cabelos safadamente na PUC. E que eu vá muito bem nas provas do cursinho, e que fique vivo fazendo Direito + Cursinho pra passar na UFSC também. Nota mental: tomara que eu não mude de idéia até dezembro. )
Carpeeeeeeeeeeeee Diem!
enviada por Gabriel
04/01/2004 01:43
Não podemos ter tudo o que queremos
Não conseguimos sempre tudo de quê precisamos
Mas se foi daquele jeito
Poderia ser de outro?
Mas se ainda estou aqui
Precisava ter aquilo?
Dias que se foram e não vão mais voltar. Mas algum dia qualquer que já se foi vai por acaso voltar?
As chances, não vão voltar. Mas todas foram desperdiçadas?
Quando o mar está agitado, não podemos ver o fundo.
Não posso ver o fundo.
Um nunca mais é tão parecido com um até logo.
enviada por Gabriel
29/12/2003 10:17
Titãs - Enquanto Houver Sol
Quando não houver saída
Quando não houver mais solução
Ainda há de haver saída
Nenhuma idéia vale uma vida
Quando não houver esperança
Quando não restar nem ilusão
Ainda há de haver esperança
Em cada um de nós há algo de uma criança
Enquanto houver sol, enquanto houver sol
Ainda haverá... enquanto houver sol
Quando não houver caminho
Mesmo sem amor, sem direção
A sós ninguém está sozinho
É caminhando que se faz o caminho
Quando não houver desejo
Quando não restar nem mesmo dor
Ainda há de haver desejo
Em cada um de nós aonde Deus colocou
Enquanto houver sol, enquanto houver sol
Ainda haverá... enquanto houver sol
--
Vamos nos manter em pé, mesmo que não haja motivos para estar em pé agora ( sabemos que um dia haverá ).
Vamos caminhar até o topo da montanha só para poder nos localizar melhor ( no fundo do poço não vemos nada ).
Vamos ser otimistas sem que para isso precisemos ser ingênuos ( devemos odiar a alienação ).
Sozinho, pouco ou nenhum motivo pra viver me resta, porque não vejo a minha possível morte como algo negativo em si. Não que não tenha amor pela vida, muito pelo contrário, amo-a realmente muito. Mas vejo que a morte é tão e somente um sono eterno, onde minha consciência se esvai completamente. A dor que fica não é a de quem morre.
Com outras pessoas, a ligação com o mundo fica muito mais forte. Parece que a morte só levaria uma parte de mim, e que o resto ficaria aqui. E eu não queria ser parte, eu não queria ser lembranças. Eu quero ser presença e atitude. Eu quero SER de maneira ativa e consciente, eu quero fazer diferença, eu quero sentimentos intensos.
--
Não importa quanto tempo passe. Sempre que eu ouvir aquela música eu vou lembrar daquela pessoa.
Incrível como cheiros, gestos, sotaques, palavras podem nos remeter a pessoas e momentos. E quando a gente se apega a alguma pessoa tudo é desculpa para lembrar dela. Só que isso vai diminuindo ( normalmentente ) com o tempo, até se tornar numa lembrança quase inefetiva, que não represente necessariamente posteriores pensamentos a respeito.
Mas hoje, eu senti falta daquele sentimento. Daquele coração, talvez.
Custou tão caro a minha tranquilidade. Custou tão caro a minha paz, custou tão caro assim esquecer aquela pessoa? Tão caro a ponto de mesmo depois de anos alguns caminhos ainda estejam completamente fechados dentro de mim?
enviada por Gabriel
26/12/2003 02:02
Ela é vegetariana
Ele é bem doidinho
Ela é bem sensível
Ele é bem engraçado
Ela tem problemas de estima
Ele a acha perfeita
Ela calculou o mapa astral dele
Ele a beijou com herpes
Eles saíram de mãos dadas
Eles tem muito a se ajudar
Eles são pessoas especiais
Eles querem fazer o mundo brilhar
Ele é meu melhor amigo
Ela é quase uma irmã
Um romance inesperado com duas pessoas que amo muito. Torço para que dê muito certo!
enviada por Gabriel
21/12/2003 11:41
HoHoHoHo!
O natal está chegando! :)
Eu sei que eu mudei muito nesses últimos anos, mas eu antes via as pessoas num clima de expectativa muito maior. Parece que o sentimento do "espírito natalino" era mais presente, intenso. Alguém aí poderia dizer se sou apenas eu que mudei, ou se esse clima de natal está mais fracos esses últimos anos?
Muita gente critica o natal. Diz que é mais uma data comercial desvirtuada pelo capitalismo, onde as pessoas desfilam hipocrisias e fingem que se amam mais do que se amam durante todo o resto do ano.
Eu acho que isso é verdade, também. Mas acho que o Natal é muito maior que isso. Acho que é uma possibilidade de reflexão conjunta, de perceber o quanto as coisas são melhores e as pessoas mais felizes quando estão perto de entes/amigos queridos, o quanto gostam de receber "agrados", mesmo que não seja por meio de presentes, o quanto um simples cartão tem o poder de deixar o dia de alguém um pouco mais feliz.
E é esse sentimento que devemos reproduzir, em todo o nosso cotidiano, esse sentimento de compreensão, esse carinho que transborda sem vergonha, esse jantar que é dividido por todos, essa atenção que dispendemos a todos aqueles que gostamos.
Do Outro Lado
A solidão de quem vive na miséria me aflinge cada vez mais. Eu moro em São Paulo, onde a pobreza está presente em quase todo canto. Fico assistindo, de dentro do ônibus, ao passo devagar dos mendigos, os velhos se ajeitando nos papelões. Eu penso bastante na fome, no frio, na sujeira a que eles são submetidos. Mas penso muito mais na solidão, na ausência de todo e qualquer tipo de afeto, a vida que foi repleta de desprezo, ao sentimento de piedade que coloca um ser humano como inferior a nós mesmos. Isso não é digno de um animal que tem tantas potencialidades, que tem capacidade pra fazer tanta coisa, que é tão inteligente. E quem definiu que era ele quem está lá, e não eu? Minha ascendência, provavelmente. Porque na verdade aquele mendigo pouco pode fazer pra mudar sua condição. E eu pouco poderia, caso tivesse a mesma vida que ele teve.
Preciso de mais engajamento político ano que vem se quiser manter minha mente sã =P
enviada por Gabriel
21/12/2003 11:28
Sonhei essa noite que havia perdido a minha mãe. Além de rever o quanto a amo, pude também repensar sobre diversas das minhas relações pessoais, principalmente o sentimento de perda que eu tenho relativo a algumas pessoas.
Eu sou uma pessoa extremamente complicada nesse aspecto. Extremamente comunicativo, adoro conhecer novas pessoas, conversar, compartilhar... no entanto, são realmente poucas as pessoas que me cativam, que ganham uma admiração mais afetiva, e que me incitam a um envolvimento mais próximo.
Não bastasse o número restrito de pessoas, eu sempre tenho a impressão de que eu nunca expresso isso de maneira satisfatória, que eu nunca me dedico o quanto gostaria de me dedicar, que eu quase nunca tenho o espaço que gostaria de ter. E isso não me é imposto por limites estabelecidos por essas pessoas... é imposto por uma inércia destrutiva que eu destruo ciclicamente, mas que volta cada vez mais fortes assim que algum motivo de tristeza aparece. As pessoas estão ali, de certa maneira esperando por mim ( conscientes ou não ), mas eu não consigo chegar até elas, falta a paixão que me incita a escrever, conversar.
Esse ano eu consegui "atropelar" de certa maneira essa característica da minha personalidade e tristeza, mas às vezes sinto como se estivesse a um passo de tê-la de volta. A ausência do tesão de conversar, aliado a desencontros e irresponsabilidades, fazem com que eu diminua meus horizontes, coisa que repudio completamente.
Eu abri, por exemplo, esse blog umas 8 vezes esses dias antes de conseguir postar algo. Eu visitei o blog da maioria dos meus amigos, mas sem vontade de comentar nada ( isso que encontrei muitas coisas que me interessaram muito ). Eu tinha 40 assuntos diferentes pra tratar aqui, sem que encontrasse começo pra fazê-lo.
Justificativas
E parece que... preciso dispor de uma força muito grande pra mudar isso... que não está mais tão espontâneo quanto era antes, e eu sinto que isso me prejudica no meu "objetivo" que é manter um blog que incite as pessoas a reflexão, ao questionar. Eu não quero fazer desse blog um Gabriel Wanna Dream 2. Aquele blog foi importante para a minha vida, mas seu espaço acabou, assim como acabou, de certa maneira, a minha ingenuidade para com a maior parte dos sentimentos.
Mas eu ainda tenho longos planos pra este lugar aqui :)
enviada por Gabriel
10/12/2003 20:02
Espero revê-los logo. Espero retornar logo ao meu mundo. Espero que ele ainda seja meu.
Vou-me embora pra Passárgada
Vou-me embora pra Passárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Passárgada
Vou-me embora pra Passárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca da Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive
E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d'água
Pra me contar as histórias
Que no tempo que eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Passárgada
Em Passárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar
E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
-Lá sou amigo do rei -
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Passárgada.
Manuel Bandeira,Libertinagem
To indo pra floripa, o último dos vestibulares.
:-)
enviada por Gabriel
11/11/2003 22:46
Sobre o que é novo e o que é renovado.
Esse final de semana passado fui a Belo Horizonte, onde participei do I Fórum Social Brasileiro, que reuniu pessoas de todo o país para discutir sobre a possibilidade de um outro mundo, sobre a necessidade de um outro Brasil.
Desde a decepção da esquerda em geral com o programa do governo Lula, passando pela necessidade da criação de um novo partido, da postura dos movimentos e organizações sociais até a importância da educação como fator de ruptura com o sistema. Foi um fórum interessante enquanto iniciativa, com muita gente interessante, mas que pecou muito em organização para quem tinha em mente os padrões do Fórum Social Internacional que rolou no começo desse ano, em Porto Alegre.
Poderia ter sido frustrante, portanto, se não houvessem outras coisas.
Conheci pessoas interessantíssimas ( algumas sobre as quais pretendo falar mais tarde ), e passei uma tarde de sábado com uma grande amiga. Uma tarde de sábado muito especial, em que partilhamos um da companhia do outro, com direito a beijos roubados e conversas junto a árvore e os mosquitos. Foi uma tarde que vai ficar guardada na lembrança, tal como é uma amizade que certamente será guardada no coração.
--------------
Fora isso, algumas outras surpresas tem incendiado o meu cotidiano. Parece que, de certa forma, os sentimentos se renovame a escuridão se dissipa no ar. Parece que depois de um segundo semestre conturbado, eu encontro novamente a serenidade, a paz, mas não de uma maneira solitária, e sim compartilhando o que eu sou.
E isso me faz bem. Faz com que eu me sinta novamente ligado ao mundo, faz com que o tempo volte a fazer sentido.
Eu posso dizer que depois de um longo inverno, chegou minha primavera. Não é onde posso me despir de todos os medos, mas é agradável o bastante para que eu possa sentar e tentar sentir o ambiente ao meu redor.
Bem, eu estou feliz...
enviada por Gabriel
26/10/2003 03:07
...
Ontem fui ao cinema, com uma ilustre e querida amiga, assistir a um filme chamado Aos Treze.
De roteiro muito bem desenvolvido e trabalhado ( baseado em uma história real, inclusive de uma menina que interpreta no filme ) que retrata de maneira bem interessante e realista a maneira como a classe média se afunda na droga.
Aborda questões muito interessantes, e o ponto forte do filme, na minha opinião, é justamente a crítica a necessidade de integração pessoal das pessoas, a qualquer custo.
E isso me faz refletir um pouco sobre a minha vida.
Eu raramente tento me integrar a um grupo no qual não haja nenhuma identificação. Minha escola não é, definitivamente, um lugar muito legal de se estar. Com regras estúpidas, uma classe que é a maior panela, pessoas realmente sem nenhum senso de compromisso que não sejam com elas mesmas ( e sua própria diversão ), e por aí vamos.
Só que conviver 6 anos com as mesmas pessoas acaba, inevitavelmente, criando vínculos que acabam por nos fazerem ter alguma consideração a elas, dedicar momentos, pensamentos, palavras, atitudes. Então, eu sempre tentei acrescentar o máximo que me era possível ao grupo, seja através de atitudes ou palavras.
E sempre tentei enxergar, dentro de todo o grupo, as virtudes específicas que toda pessoa tem. E tentava torná-las maiores do que as coisas que não suportava. Ainda mais nesse ano, em que tudo se tornou tão difícil ( estudos, decisões, corações ), eu evitei ao máximo esse tipo de conflito.
Só que, infelizmente, parece que não conseguirei evitar por muito mais tempo. Ou eu me anulo completamente, ou um conflito vai se tornar inevitável. Me anular não é uma possibilidade.
É um momento de decisões. Eu só espero ter a serenidade de acabar o ano com a cabeça erguida, construindo projetos que me façam acreditar novamente em tudo o que se perdeu.
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Desencontros...
Abandonos...
Alguma falta de consideração.
Tudo isso machuca...
Mas a solidão que mata :)
( ainda bem que descobrir melhor algumas pessoas faz um bem )
enviada por Gabriel
16/10/2003 16:55
Pensei bastante a respeito do último post, e devo admitir que eu deixei de considerar alguns aspectos muito importantes a respeito da maternidade.
Claro que é muito nobre, como eu disse, você adotar uma criança. Ainda mais nas condições da nossa sociedade, onde sabemos as reais condições dos orfanatos e a total falta de perspectivas que uma criança sem pais acaba por ter.
No entanto, foi extremamente injusto da minha parte aconselhar uma mulher a não ter filhos. Eu acabei por concordar com o comentário da Colombina, idéia que foi reforçada ontem por uma amiga, quando voltávamos do boliche ( aniversário de um amigo ). Ela ficou me falando, durante os 30 minutos de caminhada, sobre todas as fases de sua gravidez, sobre o quão entusiasmante é lembrar de quando saíamos e ela estava grávida, sendo que agora voltamos pelo mesmo caminho com ela tendo o filho em seus braços. Também me falou sobre todas as fases de desenvolvimento dele, todo o carinho dispensado nos primeiros dias e esse tipo de coisa. E enquanto falava, eu pude perceber aquele tom de voz, aquele olhar, que só os mais apaixonados conseguem reproduzir.
A gravidez e todos esses processos parecem ser fundamentais para todo o processo de maturidade dos pais.
Então, resigno-me a mudar de opinião, e fazer a seguinte consideração: tenham um filho e adotem outro ^^ :)
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Tantas coisas perdem o sentido de ser através do tempo. Não é raro começarmos uma coisa pensando em determinado objetivo, e com o tempo, tornar determinades atitudes tão parte do cotidiano que até nos esquecemos de que aquilo só está sendo aceito por nós pensando num objetivo "maior". E isso pode acarretar em diversos conflitos, que invariavelmente acabam por nos deixar desestimulados, cansados, inertes numa rotina que, definitivamente, não nos agrada. E como nos esquecemos dos objetivos, isso também faz com que estejamos distantes, o que por sua vez torna pouco interessante quase todas as coisas ao nosso redor.
É um ciclo vicioso, e pra rompê-lo precisamos repensar determinadas atitudes e posturas, e estar mais sensíveis as coisas boas que nossos caminhos possam oferecer, por mais difícil e distante que as vezes eles possam parecer...
Bem, é o que eu queria dizer a vocês ( e a mim ) por hoje.
Força Sempre, Mari, Jac, e todos nós que passamos por momentos não tão fáceis. :)
enviada por Gabriel
12/10/2003 04:17
Ahn. Antes de mais nada, eu queria deixar claro a todos que as reflexões abaixo a respeito de relacionamento e amor diferem um pouco da minha opinião pessoal. Acontece que dois casais, que estão na lista de meus melhores amigos, acabaram seus namoros a muito pouco tempo, me deixando essas justificativas. Elas me fizeram refletir durante algum tempo, e eu achei interessante posta-las aqui, achei que poderia causar o mesmo efeito pra vocês :)
Eu acho que fazia tempo que eu não me identificava assim com a personagem de alguma música. Biquini Cavadão, no caso.
"Janaína acorda todo dia as 04:30 e já na hora de ir pra cama Janaína pensa
Que o dia não passou, que nada aconteceu
Mas ela diz que apesar de tudo ela tem sonhos
Ela diz que um dia a gente há de ser feliz"
As portas estão abertas, mas as janelas estão fechadas.
Os passos são rápidos, mas o caminho é incerto...
Parece que a minha vida tem se tornado uma eterna antítese, entre os resultados que almejo e os caminhos que sou consequentemente obrigado a percorrer.
As vezes o coração se abstem, e fica aquele sofrimento, calado, de quem não foi feito para a indiferença.
As vezes o coração grita, e fica aquele sofrimento, barulhento, de quem necessita extravasar de alguma maneira toda a dor que sente.
Se eu ando distante, é porque não gosto de colocar palavras tristes aqui. Sempre que estou melancólico, procuro até evitar visitar o blog dos amigos.
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Hoje é dia das crianças, e eu não poderia deixar de explicitar aqui a beleza que julgo eu existir nessa fase da vida de qualquer ser humano.
A criança sempre foi sinônimo de ingenuidade, de pureza. Elas estão descobrindo o mundo, negam os preconceitos, tem uma curiosidade extremamente insistente e ainda se assustam com o mundo, que por vezes parece tão óbvio para nós, pobres almas, que já fomos bombardeados de conceitos e distorções. Elas realmente sentem com intensidade a frustração ou realização de seus desejos, alterando entre os extremos de humor com muita facilidade. Elas também são quase sempre incapazes de guardar mágoas, e reparam em detalhes que sempre nos passam despercebidos.
Também gostaria de deixar aqui minha indignação como a maneira como a criança em geral é tratada na nossa sociedade. Parece que ela está em um mundo diferente do nosso, quase nunca é compreendida e tem seus desejos e medos respeitados. Em várias ocasiões são humilhadas ou sofrem todo tipo de agressão ( desde a verbal até corporal ). Eles são responsáveis pelos futuros, mas seus próprios responsáveis nem parecem se importar muito com isso.
Fica aqui um pedido especial...
A todos aqueles que pretendem ter um filho. Prestem atenção em quantas crianças abandonadas temos em nosso país. Quantas crianças em orfanatos, quantas crianças na rua. Vale a pena repensar conceitos, e ousar nas atitudes, não ter medo de se expor. Todos temos a oportunidade de mudar, substancialmente, a vida de alguém, e a perspectiva de mudar um futuro que até então seria quase isento de perspectivas, pra uma vida saudável e estruturada, me faz muito feliz.
Enfim, o pedido é esse. Não tenham filhos, adote-os. Vocês estarão ajudando a sua sociedade, e ainda terão consigo a certeza de que mudaram e marcaram a vida de uma pessoa.
enviada por Gabriel
06/10/2003 02:50
São dois rios.
Eu já me afoguei em um, já nadei em outro...
Hoje não me molho mais
(a não ser com a chuva)
A gente não escolhe o que sente, mas ainda assim somos responsáveis pelos nossos atos. Seria isso justo?
Poderia a razão ser fator consciente dentro do sentimento? Será?!
"Eu acabei porque não consigo ficar longe dela. Dói demais essa distância, dói demais não tê-la ao meu lado. Eu sei que sou o melhor que ela poderia ter, mas não consigo, não sou capaz. Dói demais, e eu não consigo evitar. Os pensamentos não cessam, os medos, as inseguranças, não há nada que eu possa evitar enquanto ele está longe. O mundo já não é mais mundo, e eu me afogo nas crescentes saudades que me trazem a solidão. O meu amor é também minha solidão, e de tão grande que ela é, que eu a expulso, pouco a pouco do meu mundo. A ele, e não ao amor! Porque eu o amor, perto ou longe, e cada vez mais! Só que ele deixa de fazer parte do que eu sinto, pra se tornar, definitivamente...
Lembranças de algo bom"
"Eu acabei porque julguei que isso seria o melhor pra ela. Aconteceu naturalmente, assim. Um dia percebi que o que havia de ser trocado, já tinha sido! Que nos olhos dela eu enxergava um pedaço de mim, e que nos meus olhos havia um tantão dela. Só que nossos caminhos iriam se separar, logo ali na frente. E que ou eu largava a mão dela, ou a mão dela escorregaria. E eu preferi, sinceramente, largar a mão dela. Achei que isso daria mais segurança a ela pra continuar seu caminho, que isso ia ser menos traumático. Olha, a quem eu estaria enganando se dissesse que não a amo mais? Por tudo o que ela significou, por todas as sensações que só tive com ela. Não dá pra esquecer tudo isso assim. As vezes eu até acho que nunca vou esquecer. Só que a dor passou! Dentro de mim, serenidade. Eu só desejo que ela seja muito feliz, que parte dessa felicidade com certeza se reverte pra mim."
enviada por Gabriel
02/10/2003 01:44
Eu sei que dentro de mim existe uma densidade muito grande. O problema é que está trancada dentro de uma caixa ( esse meu coração! ), e que só vai se abrir com uma chave rara ( ah, aquele sentimento! ).
Desistir no momento em que devemos desistir, acreditar enquanto houver motivos para acreditar, sentir aquilo que faz bem sentir. As vezes nem tudo faz tanto sentido assim, mas eu costumo ser extremamente racional, e não acho que isso torne a minha análise fria ou desvinculada de qualquer apego sentimental. Apenas não costumo deixar a emotividade me levar para caminhos que não acredito serem os melhores pra mim.
Viver o máximo de experiências possíveis, no tempo que me é disponível, sempre tão mínimo e restrito. Esse tem sido um desafio da vida que tem me vencido, mas eu ainda tenho esperanças de virar esse jogo.
" E o pulso, ainda pulsa "
( Titãs )
enviada por Gabriel
21/09/2003 12:04
Lampirônicos
PoP ZeN
Tudo que você tem não é seu, tudo o que você guardar
Não lhe pertence, nem nunca lhe pertencerá
Tudo que você tem não é seu, tudo o que você guardar
Pertence ao tempo que tudo transformará
Só é seu aquilo que você dá
Só é seu aquilo que você dá
Tudo aquilo que você não percebeu
Tudo que não quis olhar
É como o tempo que você deixou passar
Tudo aquilo que você escondeu
Tudo que não quis mostrar
Deixe que o tempo com o tempo vai revelar
Só é seu aquilo que você dá
Só é seu aquilo que você dá
Só é seu aquilo que você dá
E o beijo que você deu, é seu, é seu beijo
E o beijo que você deu, é seu, é seu
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Ontem assisti ( novamente ) Doce Novembro. Uma mensagem muito bonita, que trata de casualidade, intensidade e muito, mas muito mesmo, de opções.
Viver muito ou ser feliz enquanto se vive. Até quanto a moderação vale a pena? Por que o modo de nos expor, por que avaliar tantos riscos? Porque queremos sobreviver, em boas condições, para fazer com que nossa felicidade dure por mais tempo, diriam alguns. Era o que eu diria também, até bem pouco tempo atrás.
Mas eu começo a perceber que o medo é maior que os riscos. E, sendo assim, nós também começamos a deixar de fazer coisas que valeriam a pena, deixamos de estabelecer metas mais ousadas, que poderiam trazer um retorno muito maior.
Eu quero ser feliz, e abdicaria de muita coisa na minha vida " segura " por isso. E pretendo fazer isso, muito brevemente, indo pra Floripa.
Blerght. Não dá + pra postar.
Acabei de saber que meu antigo blog gabrielwannadream.blig foi deletado. Nele eu tinha um ano da minha vida, eu tinha um ano de meus sentimentos. Que se apagaram, porque minha memória certamente não vai me permitir lembrar de muita coisa. Eu sei que tudo isso faz parte do meu " ser " e que, mesmo não lembrando, isso não vai diminuir a importância que teve na minha formação.
Ainda assim...
Não queria que ele tivesse " ido ". Eu tinha planos pra reativa-lo em breve, ia deixar esse blog para questionamentos e textos mais políticos, e o outro de uma maneira mais pessoal. Perdi também o melhor template que já recebi de presente ( obrigado Senhorita ) da Alanis Morissette. Eu já ia postar comentando sobre as melhoras do blig quando ele me apronta isso. Legal -.-
enviada por Gabriel
08/09/2003 23:58
Carlos Drummond de Andrade
Anoitecer
É a hora em que o sino toca,
Mas aqui não há sinos;
há somente buzinas,
sirenes roucas,apitos
aflitos,pungentes,trágicos,
uivando escuro segredo;
desta hora tenho medo.
É a hora em que o pássaro volta,
mas de há muito não há pássaros;
só multidões compactas
escorrendo exaustas
como espesso óleo
que impregna o lajedo;
desta hora tenho medo.
É a hora do descanso,
mas o descanso vem tarde,
o corpo não pede sono,
depois de tanto rodar;
pede paz - morte - mergulho
no poço mais ermo e quedo;
desta hora tenho medo.
Hora de delicadeza,
gasalho, sombra, silêncio.
Haverá disso no mundo?
É antes a hora dos corvos,
bicando em mim, meu passado,
meu futuro, meu degredo;
desta hora, sim, tenho medo.
-----------------
A vida continua cinza em São Paulo. Tudo dentro de mim oscila de maneira estranha, e por mais que eu procure um bode expiatório para toda essa dor, eu não consigo me enganar. A solidez me assola, em todo e qualquer momento que minha obrigação se impõe aos meus preguiçosos desejos. O amor costuma ser uma lembrança instigadora, mas, nesse momento, só me torna ainda mais saudoso de anos que passaram, de tristezas e felicidades que não vão voltar.
No entanto, novos caminhos se apresentam, velhos amigos ainda caminham ao meu lado, e as perspectivas não são de todo ruins.
A vida continua, disso eu sei.
Como Renato já disse, e eu já comentei algumas vezes aqui no blog, " viver é uma dádiva fatal, no fim das contas ninguém sai vivo daqui, massssss, vamos com calma ".
---
E eu não me importaria se tivesse que correr atrás de novo
Se tudo o que houvesse construído fosse destruído
Ou se as trevas se impossem em minha frente
Desde que ao meu lado estivessem as mesmas pessoas
E eu não me importaria de sonhar tudo de novo
Se nos sonhos estivesse você
Eu não quero que a paz me inunde
Se a paz os levar para longe...
...
enviada por Gabriel
27/08/2003 22:09
Hoje eu fiz a inscrição para minha prova mais querida ( e temida ), para o vestibular da UFSC. Ainda ecoa na minha mente os últimos momentos, em que marquei Direito ao invés de Psicologia. Mas bem, era o que o meu coração, hoje e a um tempo atrás, me pediu, e eu não conseguiria desobedecê-lo. Andaram me dizendo que é impossível fazer direito pensando em transformações sociais. Que o sistema só corrompe e aliena, e que ser político é ser parcial, e ser parcial não combina com o Direito. Pois bem, eu acho que o Direito não tem como ser imparcial mesmo, já que ele admite tudo como " certo " ou " errado ", " transgressão " ou " não transgressão ". O problema é que, no mundo de hoje, ele está servindo por e a um único propósito: dinheiro. Ele é quem tem movido e manipulado o Direito, desvirtuando direitos e comprando que não poderia ser vendido.
Afinal, todos tem direito a alimentação, saúde, lazer, moradia, etc. Mas guardaram esses direitos tão bem, que vamos precisar cavar e enterrar muita coisa pra acha-los novamente :)
E eu sei que você pode estar comigo, mesmo tendo feito moda ( fê =D ), jornalismo ( mari e jac ), computação ( anônima ), psicologia ( fabiii e senhorita ), biologia ( thiago ) ou mesmo que ainda nem tenha escolhido sua profissão :)
...
Uma pessoa bem especial comentou comigo sobre essa música... só então eu lembrei que tinha ouvido a algum tempo atrás, e achado muito bonita mesmo... ela estava perdida nas fitas/vinis de minha mãe, e eu resgatei em mp3 hoje... segue a letra
Isabella Taviani
Foto Polaroid
Sabe o que me cansa?
São essas tuas palavras
Que eu tenho que arrancar do meio da tua garganta, criança
Que eu tenho que trazer de dentro do teu peito, perfeito
Mas eu aqui, largado, num canto, desse apartamento
Eu choro mais, eu choro menos, tanto faz, você não vem mesmo
Mas eu aqui, eu aqui morrendo, desaparecendo, como uma foto de polaroid
Eu morro mais, eu morro menos, tanto fez, você não veio mesmo
Sabe, eu odeio, odeio adorar o seu jeito simples de viver
Ver você sorrindo assim loucamente quando estou aqui presente
Sentir as tuas pernas trêmulas do prazer satisfeito
E é por isso que eu não aceito, eu não aceito, ver você assim retrocedendo
Abrindo mão dos sonhos, fantasias, por essa covarde covardia
Muito menos pagando o preço dos nossos pecados,
Nem se fossem 10 centavos!
Mas eu aqui, largado, num canto, desse apartamento
Eu choro mais, eu choro menos, tanto faz, você não vem mesmo
Mas eu aqui, eu aqui morrendo, desaparecendo, como uma foto de polaroid
Eu morro mais, eu morro menos, tanto fez, você não veio mesmo
enviada por Gabriel
24/08/2003 23:32
Eu sou um sonhador, que só tem um sonho só,
Eu sou um andarilho, que só trilha uma estrada,
Eu sou um poeta, que só amou uma vez.
Eu sou tantos, e tudo é tão diferente e todos tão iguais
Não é rouca a voz que sai do coração...
Eu sou sentimental, mas sou político
Eu sou romântico, mas sou tímido
Eu sou sadio, mas sempre machuca
Não as quedas, provenientes da vida, mas sim a vontade de voar.
Eu sou corajoso, mas não me exponho
Eu sou extrovertido, mas exigente
Eu sou sincero, mas orgulhoso
Não é a toa que que minha casa é cheia, meu coração, nem tanto
---
( Legião - Livro dos Dias )
Ausente antes o encanto cultivado
Percebo o mecanismo indiferente
Que teima em resgatar sem confiança
A essência do delito então sagrado
Meu coração não quer deixar
meu corpo descansar
E meu desejo inverso é velho amigo...
enviada por Gabriel
24/08/2003 02:31
Uma poesia de Bertold Brecht
Quem se defende
Quem se defende porque lhe tiram o ar
Ao lhe apertar a garganta, para este há um parágrafo
Que diz: ele agiu em legitima defesa. Mas
O mesmo parágrafo silencia
Quando vocês se defendem porque lhes tiram o pão.
E no entanto morre quem não come, e quem não come o suficiente
Morre lentamente. Durante os anos todos em que morre
Não lhe é permitido se defender.
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Penso muito nisso quando ouço falar sobre o Estado de Israel, e os problemas com a palestina. Este último é um povo que vem sofrendo, durante diversos anos, massacres atrás de massacres, tendo podadas suas mínimas condições de preservar sua cultura e dignidade.
Sei que existem, entrem os palestinos, aqueles que deixaram com que o fanatismo servisse como anestésico, dedicando sua vida então ao que lhes parece mais certo, no entanto, é apenas a maneira mais conveniente de dar sentido a sua existência: ao terrorismo, a proliferação da violência e da morte.
No entanto, são apenas resultados de uma sociedade que exclui, pouco se importando com modos e métodos capazes de assegurar uma convivência pacífica entre os diversos povos, preocupada muito mais em impor a todos o seu modo de vida do que tentar entender os processos alheios.
Resultados ou não, estes são terroristas que devem ser tão assustadores quanto aqueles a quem matam, vítimas da alienação social que permitiu que determinado governo continuasse impondo medidas unilaterais que subjulgaram outro povo.
Agora, este governo é que deve ser visto como o pior de todos os terroristas, pois somente ele seria capaz de acabar com esse ciclo interminável, bastando para isso apenas medidas menos autoritárias, que gastassem a soma de dinheiro que se é gasta em armas para adotar políticas de integração e desenvolvimento da sociedade palestina. Se investissem na palestina 1/4 do que investem em armas, tenho certeza que o povo judaíco teria na mesma uma população amiga, e que nada precisaria temer.
Mas, claro que não é responsabilidade dos judeus cuidar dos problemas da população palestina, é isso o que dizem.
E é o nosso papel cuidar de todas as nossas favelas, de todos os nossos miseráveis?
Claro que é.
É papel de qualquer ser humano cuidar de outro. E o que não o fizer, deverá ser condenado, tal como condenamos os terroristas e os governos que usam poder coercitivo para impor suas políticas e guerras. Abaixo aos EUA, e a todo movimento autoritário que busque excluir qualquer homem ao invés de integra-lo.
enviada por Gabriel
20/08/2003 23:32
Quando você esteve aqui eu sabia seu nome, sabia de seus sonhos, seus desejos, seus medos, sabia o que era você, e ser seu amigo.
Quando você se foi, eu não entendi muito bem os motivos, mas sempre lhe respeitei. Eu sou um pouco orgulhoso pra essas coisas, colocando a racionalidade acima da emoção, quando acredito que isso é o melhor pra você.
Agora, que está tão distante, eu só me faço é lembrar do quão importante você foi pra mim, do quanto sinto sua falta. Não é arrependimento, longe disso, mas eu queria ter sido capaz de entender, ou de não ter sido tão tolo.
Mas você, amor, não costuma ser muito inteligente. Costuma ser muito idealista, e isso as vezes te faz muito mal. Bem, você escolheu as cores que escolheu, e eu não pude interferir.
Mas sinto sua falta.
Onde está agora, sentimento, por que abandona-me na solidão de um vão momento...
enviada por Gabriel
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